domingo, 7 de julho de 2013

O que volta das cinzas?

Hoje, acordei pensando nestes últimos acontecimentos. Quando todos mobilizaram com o incêndio da Boate Kiss, foi um horror sem fim. Todas as casas noturnas correram para fazer suas reformas, o Cabaret incendeia, também, e fecha. Caiu-se no esquecimento o incêndio na Vila Liberdade, o que aconteceu lá? As pessoas mal ficaram sabendo. E eu pensando: "Será que as pessoas pensam que só casa noturna pega fogo?". Agora, com este acontecimento sinistro - que me remeteu a histórias que via nas disciplinas de história - a comoção chega em nós. Fiquei em choque, fiquei pensando nos comerciantes tão tradicionais que ali se estabeleceram, fiquei pensando no Largo Vivo, fiquei pensando em várias coisas.

Incêndio no Mercado Público de Porto Alegre. 06/07/2013

Mas, felizmente, tudo que se constrói, pode destruir-se e se reconstruir, novamente. É uma questão de memória: memória local, memória afetiva, enfim... tudo em prol da memória. O que me entristece é que, há anos, diversos patrimônios históricos são esquecidos, inclusive inutilizados por não serem seguros, po não estarem suscetíveis a reformas, ou ganhando vida cultural. Será que assim como as casas noturnas tiveram que acordar (afinal, quem quer ver seu estabelecimento fechado por uma questão como esta?), estas edificações terão os holofotes novamente? Ou irá burocratizar/problematizar mais ainda a ocupação destes espaços?

Eu realmente não sei!

sábado, 16 de março de 2013

Das coisas mais ilusórias da vida, a maior é a promessa

Calma, isso não é um historinha pra desanimar na vida e desacreditar nas pessoas. Coloco a promessa como uma ilusão porque comumente somos enganados pelas nossas promessas. Prometemos que iremos pra academia, prometemos que iremos estudar, prometemos que não vamos reclamar do trabalho, prometemos beber a última cervejinha da semana.

Da mesma forma que um dia me contaram para: "Não tomar Seu santo nome em vão", acho que este "Seu" deveria se referir à promessa. Conversando com alguns amigos, agora no início do semestre, chegamos a conclusão que os nossos acontecimentos são cíclicos. Você começa algo super motivado, em que tudo é bacana, tudo é o máximo, mas quando vai se aproximando do fim das atividades, você vai entregando suas forças, suas angústias tomam conta e todas as promessas vão por água abaixo. Até pode ser que você tenha cumprido seu "compromisso", mas foi doloroso e não o deixou satisfeito.

Peguemos de exemplo este blog: Prometi que ia postar uma vez por semana e ter sempre um assunto novo pra falar, perpetuar ideias, ouvir sugestões, assim como um pequeno diário da minha vida acadêmica, pessoal e social. Não tardou para eu abrir mão disso tudo. Logo, eu me senti uma fracassada por nunca saber o que postar. "Então vamos jogar esta bobagem pro alto, afinal ninguém lê mesmo". Esta foi uma das minhas promessas da boca pra fora, não fiz o MÍNIMO de esforço pra manter o blog, só achei uma desculpa e larguei mão.

Se prometessemos menos coisas à toa, seria muito mais fácil cumprir tudo. Visitei o site do meu amado irmão Guilherme e vi num post uma sincera promessa que ele fizera aos seus alunos: 

"Esse ano espero produzir mais slides e materiais para colocar no blog.
Até maio acho que não vai ser tão complicado manter a meta, depois, sabe-se lá."

 Isso é sinceridade consigo e com seus alunos: ESPERO; ACHO QUE. Afinal é incerto! Claro que, se não botarmos algumas certezas, nos acomodamos mais facilmente, mas a quem a gente quer enganar? E "você" que vive se punindo gritando pro espelho: "EU SOU CAPAZ!", poupe-se deste discurso, isso só te castiga quando as coisas dão errado. Ao invés de gritar isso pra si mesmo, pensa no que deu errado e corre atrás, sempre há tempo.

E agora? Pra onde eu vou? É normal que façamos planos e tracemos metas, mas enquanto planejamos, o tempo passa. Por quanto tempo vou ficar planejando? Será que haverá tempo depois pra degustar o que é real? Sentir o que acontece? Farejar o desconhecido? Como disse antes, este texto não é um discurso desmotivacional, mas refletir melhor se você está coerente com aquilo que diz. Nem sempre é fácil, nem sempre sai como você planejou, mas a vida é cheia de peças e se faltar alguma a gente improvisa, a gente faz uma gambiarra.

Uma promessa não cumprida é frustrante. Um resultado sem promessa é gratificante.

[me perdoem a rima pobre, mas fiquem feliz que não falei de política, hehe]

Queijos e bom final de semana

domingo, 3 de junho de 2012

Faculdade para alunos?

Boa noite, pessoal.

Vim apenas noticiar um acontecimento muito importante na FA-UFRGS, neste final de semana.

Há algum tempo já escuto falar nos corredores e em palestras sobre a abertura da faculdade no finais de semana para que os alunos possam elaborar ateliês de projeto. Mas, infelizmente, ainda nada disso acontece. Pelo menos oficialmente não. O DAFA já elaborou Mega Ateliê durante a semana, mas é difícil abrigar todo mundo que gostaria de participar. E durante a semana nos ocupamos bastante com as aulas, muitos com estágios e bolsas, que restringe o nosso tempo.

Durante a Semana Acadêmica (extremamente produtiva, diga-se de passagem) fizeram uma "oficina" Mobilidade Acadêmica, e foi trazida pelos intercambistas, tanto os estrangeiros quanto os daqui, a discussão o quanto fazem falta os ateliês de projeto durante os finais de semana. Nestas projetações coletivas é possível pedir sugestões, DIALOGAR e isso é extremamente construtivo para o aluno/professor/projeto. Em algumas instituições a faculdade fica aberta 24h, o pessoal acampa na faculdade e entra até cachorro! (neste caso na UNR - Universidad Nacional de Rosario). Na maioria das universidades brasileiras já aderiram a essa abertura, enquanto a UFRGS ainda está com este bloqueio.

Com essas discussões, sexta-feira um dos meus colegas foi informar-se, e conseguiu que pudéssemos entrar na faculdade no sábado para trabalharmos em projeto. Entretanto, quando foram registrar o professor que estaria responsável pelos alunos barraram essa possibilidade, e só quando outro professor assinou responsabilidade permitiram (não vou citar nomes, pois não é esse o caso). Infelizmente, a ilustríssima diretora foi conversar com os responsáveis pela liberação e citou que esse final de semana vai ser permitido, mas que não irá mais ocorrer, pois a FA-UFRGS não possui segurança suficiente para liberar a entrada desses estudantes. Além disso, foi cedido uma sala que estava EM AULA de língua estrangeira pelo NELE, que não possui ligação direta com a FA-UFRGS, sendo que TODAS as outras salas estavam vagas.

Que tipo de faculdade é essa que fecha as portas para seus alunos e nega essa necessidade de projeto coletivo? E que desconfia de seus alunos, mas permite que outros núcleos usufruam o prédio? Concordo que a segurança estava fraca, porque ninguém me pediu pra assinar nada quando cheguei, qualquer um que quisesse entrava, visto que os seguranças não estavam exercendo sua tarefa. Mas é ridículo pensar que podemos ser uma ameça para a faculdade. Afirmar que tem poucos seguranças na faculdade não passou de uma justificativa (muito) esfarrapada.


Felizmente, aqui estamos, depois de uma manhã, tarde e noite de projeto, comendo na sala 406. Produzimos bastante, rimos bastante e como bem podem ver, com estresse beeeeem longe. A partir de agora, vamos "incomodar". Queremos poder projetar junto aos colegas, construir uma UFRGS cada vez melhor e arquitetos mais completos.

E então direção? Está mais do que na hora de entender que apenas quem gosta e quem quer trabalhar vai à faculdade no final de semana, e que nós faremos questão de cuidar desse patrimônio que é destinado a nós, estudantes!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Parte1: Sumiço; Parte 2: Paradoxo da vida contemporânea

Andei sumida, mas um monte de coisas acabaram acontecendo nesse tempo.
Fui ao meu primeiro EREA (Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura) - que na edição 2012 aconteceu em Bagé/RS -; trabalhei no meu projeto, em Projeto 1; projetei uma banca de livros, em Desenho Arquitetônico II - que se puder ter novamente acesso às pranchas pretendo posta-las aqui no blog -; conquistei uma vaga de bolsista no projeto de extensão EMAV (Escritório Modelo Albano Volkmer); participei de palestras do CEPA; participei da Semana Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo. Enfim, uma bolada de coisas que certamente me agregaram demais como profissional e como pessoa.

Logicamente, visto este loooongo sumiço, foi difícil encontrar o tema que eu iria abordar nesta postagem. Decidi fluir em relação ao tema da postagem anterior. Mas não se preocupem. Não quero fazer uma lavagem cerebral divagando de como é bom andar de bicicleta, e sim, refletir mais sobre o caráter do indivíduo urbano e que caminho ele está seguindo.

Em uma das palestras realizadas pelo CEPA o escritório 0E1 Arquitetos apresentou o projeto que recebeu menção honrosa no concurso da Passagem Sob o Eixão de Brasília. Nesta palestra comecei a perceber que o meio em que estou vivendo passará por um processo de desaceleração. Essa palavra gerou discussões, inclusive afirmando que muito pelo contrário, cada dia mais estamos correndo contra o tempo e as pessoas não param para descansar ou contemplar.

Vou elucidar.

Os sintomas da internet estão crescendo, como: a constante vontade de fazer tudo; a informação rápida; o caráter expresso das atividades exercidas; a vontade chegar o mais rápido possível nos lugares. Logo, eu poderia entrar num paradoxo ao que falei anteriormente, mas ao discutir no meio ativo intelectualmente da faculdade, percebi que todos enxergam o quanto nos estressamos com os prazos e exigências que a vida corrida nos proporciona.

Observei, no projeto, que foram propostos pontos de comercialização e estar. Chama atenção pelo termo estar. Com esta vida tão corrida, nós queremos um tempo de estar nos locais. Curti-los e apreciá-los. Muitas pessoas acham esse refúgio na frente da televisão, jantam em bons restaurantes, vão caminhar, passear com o cachorro, passar um domingo no parque - é só perceber a quantidade de gente que frequenta a Redenção em Porto Alegre, no fim de semana - e sim, as pessoas querem esse momento estático. Penso que surtaríamos se não tivéssemos esse tempo.

Acredito que quando se enxerga isso e quando vejo estudantes de arquitetura se queixando da falta desse tempo de estar, reflete em uma procura em aplicar nos projetos este anseio de poder apaziguar-se nesses espaços. Certamente que ainda é uma minoria e que a maioria está preocupada em tirar uma nota A e seguir a risca os conceitos modernista ensinados, no caso da FA-UFRGS. Entretanto, os estudantes com voz ativa são essa minoria. São estudantes que acreditam na sua forma de ver arquitetura, independente do que é pregado em sala de aula. Não quero desmerecer o o pensamento dos nossos professores, mas é preciso aplicar ciência social dentro da arquitetura, antes que a sociedade enlouqueça de tanto trabalhar.

Gosto de viver correndo. Mas quero correr atrás de arte, de inspiração, de aprendizado, de ar puro. E pra tudo isso é preciso desses momentos de estar, contemplar, apaziguar e equilibrar

Nos anos 1920, período marcado pelo modernismo, construíam-se "máquinas de morar" - conotação da casa sugerida por Le Corbusier - e o ritmo industrial foi acelerando e nós continuamos este processo. Mas acredito que em breve, novos conceitos de arquitetura sustentável e humanização da arquitetura acionará o freio para fazer um cenário urbano muito mais contemplativo e aprazível.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Vá de bicicleta

Recentemente Porto Alegre tem brilhado os olhos para as bicicletas. Em maio de 2009 foi aprovado o Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Porém, teremos que esperar até 2022 para que a anfitriã resolva todas as burocracias e as ciclovias estejam devidamente construídas. Em janeiro de 2012, foi aprovado o projeto do guarda-corpo da ciclovia da Ipiranga e os futuros resultados parecem bastante animadores. Veja o projeto vencedor de Rodrigo Troyano, que se destacou pelo uso de guard-rail de material reciclado.

Vivendo este pouco ano que passei na UFRGS, vejo o quanto essa geração que está na universidade usa e incentiva o uso da bicicleta por questões ambientais e estresse do trânsito, - não que seja fácil ser ciclista, mas muitas vezes é mais rápido chegar de bici - ah! Sem contar a preocupação constante, o financeiro. Visto mais um aumento das passagens de ônibus em 2012 para R$2,85 as revoltas ficaram mais intensas e isso colaborou o sucesso do I Fórum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre.

Além disso, toda última sexta-feira do mês acontece a Massa Crítica, em que grupo de pessoas trafegam pelas vias da cidade procurando respeito e segurança aos meios de transporte alternativos (bicicleta, patins, skate, etc). Os primeiros movimentos ocorreram em San Francisco em 1992 e até hoje várias cidades do mundo "praticam" a Massa Crítica nos mesmos dias. No dia 25/02/2011, o evento foi literalmente atropelado (veja o vídeo aqui), e mesmo assim o movimento está criando mais força com ajuda das redes sociais.

Passei a me interessar no assunto quando eu vi a reportagem do SBT (abaixo), que cita que Porto Alegre, apesar de ter mais de uma árvore por habitante, é a segunda capital mais poluída do país. Por isso, eu vou para Nova Petrópolis, cidade natal da minha fiel escudeira Hannah (não ela não é um animal de estimação), resgatar as bicicletas, afinal, é a nossa pequena colaboração para nosso ar xexelento, além de tornear as nossas coxas.
Até mais ver, e venha de bicicleta.